Terça, 13 Dezembro 2016 15:29

Anac aprova regra que autoriza empresas aéreas cobrarem por bagagem despachada

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou na manhã desta terça dia 13, novas normas relativas a direitos e deveres dos consumidores de serviços aéreos.

 

Entre as mudanças aprovadas pela diretoria da agência está a permissão para que as empresas passem a cobrar pelas bagagens despachadas.

 

As novas regras começam a valer em 90 dias, a partir de 14 de março.

 

Com isso, a exemplo do que ocorre em outros países, as companhias aéreas poderão criar políticas próprias para despachar bagagens. Atualmente, as empresas são obrigadas a oferecer gratuitamente uma franquia de 23 quilos para passageiros domésticos e de duas malas de 32 quilos para voos internacionais.

 

A partir de agora, as aéreas poderão estipular franquias menores de bagagem e, em contrapartida, oferecer passagens mais baratas aos consumidores.

 

Segundo a Anac, apesar da possibilidade de as empresas passarem a cobrar pelo despacho de malas, cada companhia terá autonomia para criar suas regras próprias de bagagens, inclusive, mantendo as franquias atualmente em vigor.

 

Na prática, a mudança nas regras de bagagem deve impactar principalmente as passagens aéreas promocionais, mais baratas – como já acontece atualmente, por exemplo, nas companhias low-cost (baixo custo) americanas e europeias. A tendência é que as passagens mais caras deem a bagagem despachada como cortesia.

 

 

Bagagem de mão

 

A resolução da diretoria da Anac também aumenta de 5 para 10 quilos o peso máximo das bagagens de mão por passageiro.

 

As empresas aéreas argumentam que a flexibilização de bagagens vai baratear as passagens de quem não despachar mala.

 

“Mas esse peso pode ser maior, caso a companhia aérea entenda que é economicamente útil diferenciar o seu serviço das outras”, ponderou o diretor da Anac Ricardo Fenelon.

 

Recentemente, o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, afirmou em Brasília que “quem embarca sem mala paga por quem está com mala, já que as companhias não podem discriminar preço”.

 

A Anac também reduziu para 7 dias o prazo máximo para a devolução de bagagens extraviadas em casos de voos domésticos e para 21 dias para voos internacionais. Após esse prazo, se a bagagem não for localizada, as empresas aéreas terão no máximo uma semana para indenizar os passageiros.

 

 

Nome

 

A mudança da regra altera também os procedimentos adotados quanto ao nome impresso na passagem aérea. O novo regulamento determina a correção de possíveis erros no preenchimento do nome e do sobrenome até o momento do embarque.

 

 

Política de cancelamento

 

A agência reguladora fixou ainda que o consumidor tem direito a desistir da compra até 24 horas depois de receber o comprovante de compra do bilhete, caso ela seja feita com no mínimo sete dias de antecedência. “Entende-se ser esta a melhor prática regulatória e é a adotada nos Estados Unidos. Estende a todos os consumidores a prática adotada por alguns agentes”, explicou. Nesses casos, os consumidores devem ser ressarcidos integralmente.

 

 

Informação

 

A norma aprovada pela Anac prevê que as empresas aéreas apresentem detalhadamente os valores de todos os serviços contratados pelas empresas, com informações sobre o serviço ofertado e as taxas extras.

 

A nova regra também proíbe a inclusão de serviços acessórios, como poltrona conforto, sem solicitação do consumidor. "A norma proíbe a contratação automática do serviço. Ele deve ser solicitado pelo passageiro”, afirmou o diretor da Anac, Ricardo Fenelon.

 

O diretor destacou que a nova norma evita que o consumidor tenha que desmarcar os serviços caso não queiram adquiri-los.

 

 

Companhias

 

As companhias aéreas (Gol, Latam e Azul) foram questionadas pelo G1 sobre as novas regras, mas ainda não se pronunciaram. (Com G1)

 

 

 

Veja também:

  • Após cobrança de bagagem, aéreas não baixam preço

    Após a cobrança da chamada "franquia de bagagem" por parte das companhias aéreas, em maio, o preço dos tíquetes não foi reduzido, o que eleva o custo de uma viagem de avião para o consumidor final.

     

    A reportagem pesquisou preços de trechos a partir de Salvador e comparou com os mesmos preços praticados há três meses, quando ocorreu a mudança.

  • Cobrança de bagagem está suspensa

    Apesar da decisão da Justiça Federal em São Paulo, que concedeu liminar ontem dia 13, contra a norma que autoriza as companhias aéreas a cobrar pelo despacho de bagagens.

     

    As demais regras para o transporte aéreo de passageiros previstas para entrar em vigor hoje dia 14, continuam valendo.

  • Regra que autoriza cobrança de bagagem pelas empresas aéreas é ilegal, diz MPF

    O Ministério Público Federal considera ilegal a nova regra aprovada pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) na última terça dia 13, que permite a cobrança da bagagem despachada pelas companhias aéreas a partir de março de 2017.

     

    Depois de uma sessão na Câmara de Consumidor e Ordem Econômica, o MPF decidiu entrar com uma ação judicial para questionar a legalidade e a constitucionalidade das novas regras para o transporte aéreo.

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