Quarta, 12 Outubro 2016 17:17

Doenças oculares pioram na primavera

Nem tudo são flores com a chegada da primavera.

 

Algumas doenças oculares pré-existentes pioram durante a estação.

 

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, a principal é o ceratocone, maior causa de baixa visão na adolescência que atinge 100 mil brasileiros e responde por 70% dos transplantes de córnea no país. 

 

Isso porque, uma pesquisa online realizada pelo especialista com 315 portadores mostra que 50% apresentaram alergias respiratórias que aumentam na primavera por conta da maior concentração de pólen, poluição e bruscas variações térmicas. 

 

Estas condições ambientais também favorecem a piora do ceratocone. Isso porque, esclarece, os olhos coçam e a fricção frequente provoca o enfraquecimento das fibras de colágeno da córnea que caracteriza a doença. 

 

A dica do médico para alívio imediato de uma crise alérgica é aplicar compressas de água gelada sobre os olhos. Caso a coceira não desapareça, orienta consultar um oftalmologista. O tratamento é feito com colírio antialérgico ou com corticóide nos casos mais graves. Independente da fórmula, adverte, colírio só deve ser usado com prescrição e acompanhamento médico porque todos são medicamentos e o uso incorreto pode causar outras doenças nos olhos. 

 

 

Baixa umidade 

 

A pesquisa mostra que a síndrome do olho seco atinge 24% dos portadores de ceratocone, contra 12% da população geral. O oftalmologista afirma que a baixa umidade típica da primavera agrava o ressecamento da lágrima e expõe a córnea a maior risco, principalmente porque 60% das pessoas com ceratocone só conseguem boa correção visual usando lente de contato que na maioria dos casos se torna bastante desconfortável com o ressecamento da lágrima. 

 

 

Para melhorar a lubrificação dos olhos, Queiroz Neto recomenda: 

 

- Usar lágrima artificial sem conservante; 

 

- Incluir na dieta alimentos ricos em ômega 3 como sardinha e linhaça; 

 

- Reforçar o consumo de legumes verduras e frutas ricos em vitamina A e E; 

 

- Beber bastante água, manter os ambientes livres de poeira e umidificados com uma vasilha de água; 

 

- Evitar travesseiros de pena e condicionador de ar; 

 

 

Nova terapia 

 

A boa notícia é que hoje a nova versão do crosslink, único tratamento capaz de interromper a progressão do ceratocone, pode ser aplicada em córneas mais finas. Isso porque, não retina o epitélio, camada externa da córnea como acontece na técnica tradicional. 

 

O oftalmologista explica que independente da técnica, o crosslink associa vitamina B2 (riboflavina) com radiação ultravioleta para aumentar a resistência das fibras de colágeno da córnea em até 3 vezes. 

 

A tradicional só pode ser aplicada em córneas com espessura mínima de 400 micras. A nova versão permite a aplicação em córneas de, no mínimo, 300 micras, possibilitando portanto interromper a evolução de casos mais avançados de ceratocone. 

 

A eficácia do tratamento ainda é questionada por alguns especialistas, mas de acordo com Queiroz Neto o procedimento causa menos dor, a recuperação visual é mais rápida e o risco de infecção é menor. 

 

Além disso, um grupo de estudos dos EUA que acompanhou pacientes por 3 e 6 meses mostra que as duas técnicas são eficazes e que pacientes com mais de 35 anos podem obter resultados semelhantes aos mais jovens com o novo procedimento.

 

 

 

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