Quatro anos depois, o líder do motim, Gelson Lima Carnaúba, fundava com o comparsa José Roberto Fernandes Barbosa a FDN, o terceiro maior grupo criminoso do país.
"A regra número um [da FDN] é que nada é feito ou definido sem a ordem ou aprovação de seus fundadores e principais lideranças, quais sejam, Gelson Lima Carnaúba, vulgo "G", e José Roberto Fernandes Barbosa", lê-se no inquérito da Polícia Federal sobre a FDN.
Rebelião de 2002
Dados do Relatório Anual do Centro de Justiça Global de 2002 indicam que o motim no Compaj foi motivado pela morte do detento André Luiz Pereira de Oliveira, que, segundo os presos, teria sido espancado e torturado por três agentes penitenciários.
Para cometer os assassinatos, os amotinados usaram revólveres, facas e martelos. A investigação do Ministério Público amazonense indicou que a rebelião acobertou "acertos de contas entre presos inimigos".
Carnaúba só foi a julgamento nove anos depois da chacina. Ele foi condenado pelo Tribunal do Júri de Manaus juntamente com dois outros acusados -- Marcos Paulo da Cruz e Francisco Álvaro Pereira, que foram sentenciados respectivamente a 132 e 120 anos de prisão. Em 2013, o quarto acusado, Elmar Libório Carneiro, pegou a maior sentença: 191 anos de prisão.
Um importante testemunha -- o artesão Elgo Jobel Fernandes Guerreiro -- foi assassinada por um policial no ano seguinte ao julgamento de Carnaúba. Na época da rebelião de 2002, Elgo era detento no Compaj e integrava a facção paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), maior inimiga da FDN.
Fuga e Prisão
Em julho de 2014, Carnaúba fugiu ao lado de cinco comparsas do Compaj -- o mesmo presídio onde ele comandou uma chacina 13 anos antes.
Os fugitivos pularam o muro do setor de regime fechado da penitenciária para o de regime semiaberto e escaparam pelo matagal. (Com UOL)