Quinta, 25 Agosto 2016 19:13

Confusão faz Lewandowski suspender sessão do impeachment

O primeiro momento de maior tensão hoje dia 25, no julgamento do processo de impeachment, no Senado, contra a presidenta afastada Dilma Rousseff levou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, a suspender a sessão por alguns minutos para tentar restabelecer a ordem.

 

A confusão começou quando a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) afirmou que nenhum senador tem condições morais para julgar o afastamento permanente de Dilma.

 

“Aqui não tem ninguém com condições para julgar ninguém. Qual a moral do Senado para julgar uma presidente da República?”, disse, visivelmente exaltada. A declaração foi interrompida pela manifestação indignada de outros senadores longe do microfone, entre eles, Ronaldo Caiado (DEM-GO), a quem Gleisi respondeu acusando: “o senhor é do trabalho escravo”, disse ao microfone.

 

Gleisi rebatia o senador Magno Malta (PR- ES), a quem coube colocar o contraponto a uma das questões de ordem apresentadas por aliados de Dilma que afirmaram que o impeachment é defendido para blindar o presidente interino, Michel Temer, e alguns integrantes de seu governo citados em delações da Lava Jato.

 

 

Lata e lixo

 

"É o sujo falando do mal lavado. É a lata e o lixo. Não sou do PMDB, não sou do PSDB,  que são os inimigos declarados do processo eleitoral", disse. Sobre gravações que estão sendo reveladas ao longo das investigações, Malta atacou:"Se valesse alguma coisa, Aloizio Mercadante deveria estar preso".

 

Diante do bate-boca estabelecido, com a volta dos trabalhos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pediu serenidade nas discussões para que as testemunhas começassem a ser ouvidas.  Ao retomar a sessão, Lewandowski anunciou o indeferimento da questão de ordem da senadora Fátima Bezerra (PT-RN) que voltou a apontar suspeição do relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG), pelo vínculo com o partido tucano, a quem aliados de Dilma atribuem a autoria do processo.

 

“Isto não é democracia. É um tribunal de exceção”, acusou. Aliada do governo Temer, Simone Tebet (PMDB-MS) disse que a alegação revela “medo” dos contrários ao processo e afirmou que a questão já foi decidida por todas as instâncias que receberam recursos no mesmo sentido.

 

O ministro Lewandowski também indeferiu pedido feito pela senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) que solicitou a impugnação do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, primeira testemunha a falar na sessão de hoje, afirmando que ele teria um posicionamento parcial. Lewandowski negou o pedido dizendo que Júlio Marcelo "possui idoneidade e capacidade técnica para apresentar testemunho".

 

A sessão foi aberta por volta de 9h35 e até o momento só foram apresentados pedidos de esclarecimentos sobre a sessão. Ainda hoje, quatro testemunhas serão arroladas pela acusação e pela defesa. (Com Agência Brasil)

 

 

 

Veja também:

  • Maia diz que votar impeachment de Temer traria instabilidade política

    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse hoje dia 21, que julgar os processos de impeachment contra o presidente Michel Temer pode piorar o cenário político do país.

     

    “Acho que a Câmara já julgou os fatos que estão no pedido de impeachment na [votação da] denúncia. Se a gente ficar remoendo o mesmo assunto, a gente só vai gerar instabilidade no Brasil”, disse, antes de participar de um evento sobre reforma política promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

  • Oposição entra com pedido de impeachment do presidente Michel Temer

    Deputados da oposição entraram com pedido de impeachment contra Michel Temer, após a revelação de que o presidente da República aparece em uma gravação dando aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

     

    O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) solicitou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se instale imediatamente uma comissão de impeachment.

  • Eleições nos EUA e impeachment são os temas mais discutidos no Facebook em 2016

    O Facebook divulgou os rankings dos temas mais discutidos por usuários em 2016.

     

    No âmbito mundial, o primeiro lugar é ocupado pelas eleições norte-americanas, seguido, por política no Brasil, Pokémon Go, o movimento Black Lives Matter (vidas negras importam, em tradução livre), o presidente filipino Rodrigo Duterte, a Olimpíada, o Brexit, o Super Bowl e as mortes de David Bowie e Muhammad Ali.

Entre para postar comentários