O papel era um certificado de saúde de seu irmãozinho, Farid, de somente 7 anos, que prova que o pequeno tem um grave quadro de plaquetopenia, doença onde o nível de plaquetas na corrente sanguínea é perigosamente baixo.
Ahmed contou aos voluntários que deixou o Egito para procurar ajuda para seu irmão, que não conseguia tratamento no seu país. Para fazer a travessia, ele disse que usou todas as economias da família, obtidas pelo cultivo de tâmaras. O menino recebeu ajuda do tio para conseguir um lugar em um dos botes, que foi negociado com os "atravessadores".
Viagem
O garoto começou sua viagem escondido em um caminhão e deixou seu vilarejo, o de Rashid Kafr El Sheikh, localizado a cerca de 130 quilômetros do Cairo, chegando alguns dias depois à cidade litorânea de Alexandria. Desse ponto, o menino passou mais 10 dias em alto-mar no bote.
A história de Ahmed, contada pela primeira vez pelo jornal italiano Corriere della Sera, comoveu várias pessoas e, sem muita demora, ofertas de ajuda ao garoto, ao seu irmão e à sua família começaram a surgir.
O Hospital de Careggi, em Florença, se dispôs a pagar o tratamento de Farid em suas facilidades. Além disso, o garoto e toda a sua família poderão ficar em um apartamento da Fundação Tommasino Bacciotti, que angaria fundos e patrocina pesquisas sobre tumores cerebrais em crianças e adolescentes. (Com Band)