Sexta, 15 Julho 2016 14:08

Governo abate 300 jumentos para conter acidentes em rodovias

O governo da Bahia resolveu tomar uma atitude radical contra os jumentos apreendidos nas rodovias do Estado (tanto federais quanto estaduais): abater os animais.

 

Desde a segunda dia 11, mais de 300 já foram mortos e até o final do ano ao menos 2.000 terão o mesmo destino.

 

A iniciativa visa conter os acidentes causados por animais nas pistas -- ho entanto, o governo baiano diz não possuir estatísticas sobre quantos acidentes são causados pelos bichos.

 

O abate está sendo realizado por um matadouro da cidade de Miguel Calmon e é alvo de representação no Ministério Público Estadual por supostas irregularidades no serviço – o governo da Bahia garante que o matadouro trabalha dentro da legalidade.

 

De acordo com a Seagri (Secretaria de Agricultura da Bahia), "a atividade contou com a inspeção de cinco médicos veterinários da Adab [Agência de Defesa Agropecuária da Bahia], que garantiram o cumprimento de todas as exigências higiênico-sanitárias e de bem-estar animal".

 

Antes do abate, os animais são encaminhados a uma propriedade para realização de exames clínico e laboratorial, informou a Seagri. O couro será vendido aos chineses, e a carne alimentará animais do zoológico de Salvador e o restante transformado em ração animal.

 

 

Limite de peso

 

De acordo com a Seagri, só são abatidos os jumentos que pesem, no mínimo, 100 quilos. O procedimento – diz o órgão – é praticamente igual ao realizado com bovinos. A ação é realizada com base na Portaria Estadual nº 255/2016, que define os critérios para o abate de equídeos na Bahia.

 

"O estabelecimento que está realizando os abates encontra-se dotado de instalações, equipamentos e utensílios adequados para este fim, e também para manipulação, acondicionamento e conservação, permitindo a segregação em câmaras frias exclusivas para este tipo de atividade", afirma a Seagri.

 

Ainda segundo a secretaria, além de animais apreendidos, estão sendo abatidos também animais adquiridos junto a criadores do Estado. A estimativa é obter cerca de 200 toneladas de produtos, os quais receberão rotulagem específica com dizeres "produto não destinado à alimentação humana" e "rígido controle na armazenagem e distribuição".

 

O diretor-geral da Adab, Marco Vargas, diz que a portaria do governo é clara e impede que a carne de jegue seja usada para o consumo humano, "considerando que o consumo de carne de equídeos não faz parte da nossa cultura, além de existir legislação que proíbe o abate para esta finalidade".

 

"Mas como forma de aproveitamento, a carne será doada ao zoológico de Salvador, que vai alimentar grandes animais e o resíduo restante vai ser transformado em ração animal, em uma graxaria [fábrica de produtos não comestíveis]", informou, acrescentando que a autorização para o abate é temporária.

 

Segundo o secretário da agricultura, Vítor Bonfim, "a regulamentação do abate garante a abertura de novos mercados, com foco na exportação de pele para a China, e promove um efeito amenizador, de forma humanitária e ética, no problema histórico dos animais errantes que, além de provocar acidentes em rodovias, servem como agentes disseminadores de doenças infecciosas e zoonoses". (Com UOL)

 

 

 

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