É o pior ataque do inseto "em mais de cinquenta anos", segundo o engenheiro agrônomo Diego Quiroga, diretor nacional de proteção vegetal do Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentária (Senasa) do país, que atribuiu o fenômeno à mudança do clima.
"Primeiro, tivemos uma forte seca durante três anos (2012, 2013 e 2014) nas províncias afetadas pela praga, e no ano passado um inverno com temperaturas altas e fortes chuvas", disse à BBC Brasil.
O gafanhoto, de acordo com Quiroga, costuma "se esconder no inverno" e aparecer para se alimentar nas outras estações, como a primavera. "Mas sem inverno definido, eles acabaram antecipando seus ciclos naturais, passando a se reproduzir também em quase todas as estações do ano."
Por causa do período de reprodução prolongado, diz Quiroga, a expectativa é de que em cerca de vinte dias os gafanhotos voltem a sobrevoar as plantações em grandes grupos, caso não sejam combatidos. "Cada nuvem de gafanhotos pode ter até cinquenta milhões de insetos. Não queremos erradica-los, não é essa a proposta, mas combatê-los para que não cheguem a outras províncias", disse.
O presidente da Sociedade Rural da província de Tucumán, Ignacio Lobo Viaña, disse que os gafanhotos "agem como um exército atacando pasto e cultivos como soja e milho". Aos 56 anos, ele disse que "jamais viu nada parecido" em termos de ataque do inseto.
Quiroga, por sua vez, afirma que não existem cálculos sobre as perdas econômicas para o setor agrícola na região, mas que "o impacto é mais visual do que matemático", já que os insetos atacam principalmente os pastos.
Segundo cálculos da CRA, cerca de 700 mil hectares estão sendo afetados pelo fenômeno, mas a maioria deles é coberta de pasto. Cerca de 180 mil hectares são ocupados por cultivos.(Com Bem Paraná)