Sexta, 06 Março 2015 13:27

Inflação chega a 7,7% e tem maior alta desde maio de 2005

O IPCA, índice que baliza o regime de metas de inflação do governo, segue sob forte pressão. O índice acumulado em 12 meses ficou em 7,7% até fevereiro, superior aos 7,14% até janeiro.

 

É o maior aumento desde maio de 2005, que foi de 8,05%. O resultado é superior aos 7,56% do centro das apostas de analistas de bancos e consultorias. O índice fechou fevereiro com alta de 1,22%. Em janeiro, a taxa havia sido de 1,24%. Os dados foram divulgados pelo IBGE na manhã desta sexta-feira (6) e os principais impactos vieram dos preços controlados pelo governo, sobretudo energia e gasolina. Em fevereiro de 2014, a inflação fora bem mais moderada: 0,55%.

 

Trata-de do segundo mês seguido com alta superior a 1%, algo inédito desde o primeiro trimestre de 2003, quando o país vivia a crise após a eleição do ex-presidente Lula em 2003, que fez o dólar disparar para R$ 4. Os principais focos de pressão em fevereiro vieram de energia elétrica (3,14%), gasolina (8,42%), educação (5,83%). Os alimentos ficaram 0,81% mais caros, mas num ritmo inferior ao da inflação média. A forte alta recente do câmbio (e seus impactos sobre preços de alimentos cotados em dólar e produtos importados) é uma incerteza a mais para o já complicado cenário de inflação, que pode levar a taxa do ano a superar as previsões de uma alta de em torno de 7,5% neste ano, segundo analistas.

 

A LCA, por exemplo, espera uma taxa maior do que o ponto central das estimativas de analistas. Prevê 7,86%, com principal contribuição vindo do pesado reajuste da energia -na faixa de 55% neste ano.

 

Com a forte alta da gasolina, sob impacto do aumento de tributos, o grupo transportes subiu 2,2% em fevereiro, mais do que o 1,83% de janeiro. Ainda em transportes, destacaram-se os aumentos de outros importantes itens de consumo das famílias etanol (7,19%), automóvel novo (2,88%, variação ocorrida após o fim do IPI reduzido ) e ônibus urbano (2,73%) -este último item subiu em várias capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. Já a energia não contabiliza ainda o reajuste das tarifas anuais da Aneel (estimado, em média, em 32%).

 

Apenas uma das distribuidores de São Paulo teve autorização para elevar as contas. O impacto principal veio da adoção das bandeiras tarifárias, que elevam a conta quando são usadas as termelétricas, com custo maior. Atualmente, a bandeira é vermelha e aponta o uso mais intensivo dessa fonte de geração mais cara. O aumento da educação ocorreu em razão do reajuste anual das mensalidades escolares. Trata-se de uma pressão pontual e que não se repete nos próximos meses. Para analistas, os juros mais altos (nesta semana a Selic foi elevada para 12,5%) tem um efeito limitado para conter a inflação, pois boa parte dos aumentos são de preços públicos, administrados pelo governo. A forte alta da inflação, porém, corrói a renda disponível dos consumidores, que tendem a focar seus gastos em produtos mais essenciais e nos serviços públicos indispensáveis, como água, energia e transporte. (Com Bem Paraná)

 

 

 

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