É bom ressaltar que falar mal de outras pessoas não é exclusividade feminina e não é inerente a todas as mulheres. Joyce Moysés, palestrante e jornalista especializada em comportamento feminino, tenta explicar o motivo desse fardo sexista: "Por sermos mais verborrágicas, emotivas e detalhistas, mais observadoras do comportamento alheio e expressarmos tudo com maior precisão, talvez tenhamos ganhado esse rótulo de que ‘mulheres só falam mal uma das outras’, de que ‘se vestem somente para causar inveja às outras’ e por aí vai. E o pior é que muitas mulheres pensam e falam isso, reforçando o rótulo".
Como tudo na vida, os comportamentos também têm dois lados. "O psiquiatra Paulo Gaudêncio diz uma coisa que eu adoro: ‘Amigo fala para o amigo, e não do amigo’. A crítica ao comportamento de alguém é construtiva quando você tem o interesse de ajudar ao outro a se tornar uma pessoa melhor e, então, diz a verdade ao próprio dono da ação. Quando a pessoa fala do outro, e não ao outro, está fazendo mal uso do seu tempo e de sua energia", diz Joyce.
A pessoa que tem por hábito falar mal das outras está, acima de tudo, prejudicando a si mesma. Com esse tipo de objetivo, perde-se tempo e energia preciosos, que poderiam ser usados de formas mais positivas e produtivas, principalmente voltando os esforços a melhorar a própria vida, ser mais feliz e satisfeito consigo próprio.
A falta de segurança explica...
A causa desse tipo de conduta pode estar ligada à insegurança, baixa autoestima, autovalorização por meio da depreciação de outras pessoas ou ver, se incomodar e criticar no outro aquilo que gostaria de ser ou, até mesmo, ter. "Vivemos num tempo em que se ovaciona muito quem tem sucesso. E existem muitos inseguros que precisam se autoafirmar depreciando quem pode ofuscá-los. Mas isso ocorre tanto com homens quanto com mulheres", aponta a especialista.
Na hora de lidar com os comentários maldosos feitos sobre você que prejudicarem sua vida amorosa, familiar, profissional, etc., use de toda a sua franqueza, firmeza e educação para lidar com a situação. Chame as pessoas que parecem ser o foco do falatório e converse com elas reservadamente. Exponha como se sente, como aquilo é danoso e peça para que parem com aquele tipo de atitude e deixem você em paz.
Se os rumores não forem dar em nada, outra opção é ignorar, não dar bola e não dar combustível para aumentar essa energia ruim no entorno. "Muitas vezes, quem fala mal e percebe que não tem eco, cansa e vai pegar no pé de outro", brinca Joyce.
E não se esqueça de cuidar da própria boca para não incomodar outras pessoas. Aquela fofoquinha inocente pode tomar proporções inimagináveis e acabar causando um dano irreparável a alguém. Tenha em mente que é preciso aceitar, tolerar e, principalmente, respeitar as diferenças. Todos têm os mesmos direitos e as mesmas liberdades. "Em vez de falaram mal umas das outras, as mulheres precisam se unir para que consigam vencer mais batalhas por igualdade no mercado de trabalho e na sociedade", encoraja a palestrante.
Por Juliany Bernardo (MBPress)