Sábado, 12 Dezembro 2015 22:35

“Ele sumiu do nada”: por que o ghosting se tornou tão comum nas relações afetivas?

Você conhece um cara interessante, vocês saem, ficam e, como em qualquer relação normal que acontece em tempos de WhatsApp, começam a trocar mensagens via celular.

 

Tudo está indo às mil maravilhas: o papo flui bem, ele é bem-humorado, e vocês só estão esperando a próxima oportunidade para marcar um novo encontro. E aí, de repente, sem aviso prévio ou qualquer motivo aparente, ele desaparece. Some. Simplesmente não responde mais a nenhuma mensagem sua e não dá a menor satisfação.

 

Se isso nunca aconteceu com você, certamente já ocorreu com um amigo ou conhecido próximo. É porque este fenômeno tornou-se algo comum nas relações da atualidade – tão comum que até ganhou uma denominação própria: ghosting, que faz referência a “fantasma” em inglês.

 

O comportamento não é novo, mas certamente ganhou mais adeptos na era virtual. Com a comunicação feita quase inteiramente à distância, via mensagens instantâneas, fica muito mais fácil ignorar, evitar e cortar o contato com alguém.

 

 

Por que as pessoas fazem ghosting?

 

O psicólogo e autor Alexandre Bez define a atitude como o bom e velho “fora”, com a diferença de que, neste caso, ele não é anunciado à outra parte. Segundo ele, a pessoa que faz isso simplesmente quer terminar a relação – seja pelo motivo que for – e escolhe fazê-lo sem prestar satisfações devidas ao outro.

 

 

 

 

“Qualquer que seja o motivo para o término, a essência do ghosting está ligada à falta de compromisso sentimental com a outra pessoa, à falta de importância que ela tem. É uma atitude completamente baseada no egoísmo: não há compaixão pelo outro”, resume o profissional.

 

De acordo com o especialista, muitas vezes a pessoa decide sumir porque não quer construir um relacionamento sério e estava atrás de apenas uma saída casual, ou porque a paixão foi rápida e logo se acabou, dentre outras possíveis razões.

 

Em qualquer caso, o comportamento denuncia uma falta de consideração com o outro e de profundidade na relação – característica comum nos relacionamentos atuais devido ao individualismo exacerbado da geração, a efemeridade atrelada às novas tecnologias e a grande insegurança pessoal resultada desses fatores.

 

“Psicologicamente, o impacto que isso causa na pessoa que é abandonada é um trauma e angústia muito grandes. É como se o outro estivesse dizendo: ‘você não é nada para mim, não vou sequer perder meu tempo lhe dando uma justificativa’. Pode levar até mesmo a neuroses em futuros relacionamentos, impedindo que a pessoa consiga confiar e se entregar a outra”, detalha Alexandre.

 

Ainda de acordo com ele, é possível que a própria “vítima” do ghosting passe a adotar o mesmo comportamento, sumindo da vida de outros parceiros com medo que eles o façam primeiro, para evitar ser magoada novamente.

 

 

 

 

Como “evitar” o ghosting?

 

O psicólogo afirma que é possível identificar sinais de que uma pessoa tem tendência a este tipo de comportamento. Isso porque, de acordo com ele, quem faz ghosting costuma exibir características peculiares. “Geralmente, são pessoas muito centradas em si, egocêntricas e prepotentes, que precisam de autoafirmação e têm algum tipo de carência”, define.

 

A sugestão do profissional é que, no primeiro encontro, você procure ficar atenta a sinais que denunciem isso – que podem ser muito sutis. Ainda que não atestem que o pretendente irá desaparecer, são alertas de que se trata de alguém egoísta. “Tente observar se ele é ou não atencioso, se presta atenção em você ou só nele mesmo, e se é do tipo que gosta de exibir a mulher como um troféu. O ghosting é um comportamento que está muito ligado ao exibicionismo”, crava.

 

 

 

 

Por Marianna Feiteiro (Bolsa de Mulher)

 

 

 

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