Essa disfunção, nada mais é do que uma alteração do início do desenvolvimento sexual, quando o período considerado "normal" é de 8 a 13 anos para meninas e de 9 a 14 anos para meninos.
Sendo mais comum em meninas, a puberdade precoce, quando não diagnosticada e tratada corretamente, pode acarretar impactos psicológicos e sociais na criança. Em geral, elas são mais altas que seus amigos ou familiares da mesma idade e essa aceleração do desenvolvimento ósseo na criança, antes do tempo considerado ideal, pode resultar em baixa estatura quando adulta.
"Todas as crianças com desenvolvimento sexual precoce devem ser investigadas, pois podem ser sinais de um problema mais sério e estas crianças devem ser tratadas. O principal objetivo do tratamento é impedir que a criança chegue à puberdade antes do tempo desejado e possa, assim, manter seu desenvolvimento cronológico compatível com a idade óssea. As crianças mais desenvolvidas do que colegas da mesma idade podem desenvolver problemas de ordem psicológica e social, como depressão e discriminação e, no caso das meninas, levar a uma gravidez precoce", alerta o endocrinologista pediátrico Gil Guerra Júnior, Professor e Pesquisador do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.
A puberdade precoce pode ocorrer por uma alteração na secreção do hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH), produzido em uma região específica do cérebro, o hipotálamo, levando assim a uma ativação do eixo hormonal hipotálamo-hipófise-gônadas (chamada de puberdade precoce central).
Nas meninas, geralmente a causa é desconhecida – mas sabe-se que meninas obesas ou expostas a substâncias químicas que alteram os níveis de estrogênios estão mais propensas a desenvolver puberdade precoce. Também alterações nos ovários e nas glândulas suprarrenais podem ser causa de puberdade precoce em meninas. Além disso, sabe-se que entrar muito cedo na puberdade está associado a um maior risco de hipertensão e câncer de mama nas meninas.
Nos meninos, a puberdade precoce é menos comum, mas suas causas podem indicar problemas mais sérios no sistema nervoso central ou nos testículos ou nas glândulas suprarrenais.
Sobre o diagnóstico – O diagnóstico é realizado por um conjunto de informações, a partir do histórico clínico da criança, exame físico e testes complementares, como dosagem hormonal e de imagem para avaliação da idade óssea. Os médicos especializados são os pediatras e endocrinologistas pediátricos.
Tratamento – O objetivo do tratamento é restabelecer o ritmo de crescimento compatível com a idade cronológica da criança.
"Com o monitoramento constante e tratamento adequado, a criança pode voltar a ter um crescimento compatível com sua idade", diz Gil Guerra. (Com Bonde)