Segunda, 07 Março 2016 14:43

Pesquisadores anunciam que possível cura para o lúpus está próxima

Lúpus Eritematoso Sistêmico, ou simplesmente lúpus, é uma doença autoimune crônica que atinge milhares de pessoas e que, até o momento, não tinha perspectiva alguma de cura… Pois é, não tinha.

 

Felizmente, pesquisadores da Universidade da Flórida publicaram recentemente na revista Sciense Translational Medicine resultados de pesquisas que demonstram que a combinação de dois medicamentos conhecidos podem ajudar a descobrir uma possível cura (ou ao menos melhoria dos sintomas) para a doença. 

 

E isso é muito bom, pois o lúpus é uma enfermidade terrível que pode atingir qualquer parte do corpo, desde a pele até os órgãos por meio das articulações. O que ocorre, simplificadamente, é que o sistema imunológico do portador de lúpus, ao invés de realizar sua função, que é proteger o organismo do indivíduo contra invasores externos, acaba por atacar os tecidos do corpo causando uma grave inflamação. Por isso os sintomas podem até desaparecer por algum tempo, mas depois retornam novamente. 

 

Como os cientistas descobriram alguma perspectiva de cura para uma doença tão grave? 

Um dos biomarcadores do lúpus são as células de defesa T CD4, que são glóbulos brancos que ativam outras células de defesa. Uma pessoa que possui lúpus tem uma hiperativação das células T, ativando ainda mais seu sistema imunológico, o que significa um maior dano ao indivíduo (já que as células do sistema imune destroem seus tecidos). A ativação dessas células está ligada ao metabolismo da glicose. 

 

Dessa forma, um meio de evitar essa hiperativação seria a utilização de inibidores do metabolismo da glicose, e um deles é a metformina, um medicamento comumente utilizado no tratamento da Diabetes tipo 2. Assim, junto a outro inibidor (chamado 2DG), os cientistas parecem ter encontrado em medicamentos já conhecidos a esperança para o lúpus. 

 

Mas teríamos a cura nas mãos da ciência? Não! Ainda é cedo para se falar em cura. O que temos são pesquisas bem-sucedidas em ratinhos. Em humanos ainda foram realizados testes. E resultados concretos podem demorar ainda anos para serem obtidos. No entanto, essa descoberta já é animadora, pois um medicamento simples, como a metformina, poderá ser utilizado futuramente para o tratamento de pacientes com lúpus. E essa notícia também é animadora por ser a primeira vez na história que se consegue ter um efeito sobre os sintomas e a manifestação do lúpus por meio da normalização do metabolismo celular, ou seja, pela reversão da hiperativação das células T. Em outras palavras, pela primeira vez ocorreu a normalização do processo inflamatório controlando diretamente as células T CD4. 

 

Pois é, o caminho para a cura ainda parece um pouco distante… mas não tão distante quanto antes. E se a cura não for encontrada, ao menos uma melhora para os sintomas e, consequentemente, da qualidade de vida de muitas pessoas, será obtida. (com Diário de Biologia)

 

 

 

Veja também:

  • Pesquisadores discutem formas de incentivar estudo de doenças negligenciadas

    Cerca de 1 bilhão de pessoas são afetadas por doenças negligenciadas em todo o mundo, segundo a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, da sigla em inglês), mas a falta de perspectiva de lucro afasta pesquisas para aprimorar e desenvolver o tratamento contra essas enfermidades.

     

    Entre a segunda dia 6 e quarta dia 8, pesquisadores de diversas partes do mundo estão reunidos no Rio de Janeiro para discutir soluções para esse problema, na reunião de parceiros da DNDi. 

  • Fosfoetanolamina é tema de discussões entre governo e pesquisadores

    Pesquisadores e representantes do instituído pelo Ministério da Saúde, para apoiar o desenvolvimento de pesquisas que comprovem a eficácia e segurança da fosfoetanolamina se reuniram, na última terça, dia 17 para debaterem os resultados preliminares dos estudos da substância.

     

    O encontro, realizado na sede do INCA, no Rio de Janeiro (RJ), foi uma proposta do governo, em audiência pública no Senado, de debaterem com representantes do grupo de pesquisadores que originaram a chamada "Pílula do Câncer" e parlamentares, o desenvolvimento das pesquisas dos laboratórios contratados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

  • Pesquisadores estão perto de descobrir vacina contra Alzheimer

    Pesquisadores da Universidade Laval, do Centro Hospitalar Universitário de Quebéc e da empresa farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK), no Canadá, descobriram uma maneira de estimular mecanismos de defesa naturais do cérebro de pessoas que sofrem de Alzheimer. 

     

    Uma das características principais da doença é a produção da molécula tóxica conhecida como beta-amiloide no cérebro. Os defensores do sistema nervoso são incapazes de eliminar essa substância, que forma depósitos no cérebro dos doentes, chamados de placas senis. 

Entre para postar comentários