Para outros, significa apenas um dia aparentemente mais curto. Essas diferentes reações são decorrentes da mudança do relógio biológico e de alterações hormonais. É o que explica Jerusa Miqueloto, hematologista do Laboratório Frischmann Aisengart.
A médica afirma que, em condições normais, os diversos ritmos do nosso organismo, como o ciclo vigília-sono e o ritmo de temperatura, estão sincronizados. É o chamado relógio biológico ou relógio interior. Por isso, quando há uma mudança brusca de horário, o organismo tende a se reajustar.
Como cada ritmo tem uma velocidade própria de equalização, a relação de fase entre eles é alterada com a mudança do horário. É a chamada desordem temporal interna, que pode ocasionar sintomas que podem perdurar poucos dias ou se prolongar por semanas, só terminando quando a ordem temporal interna é restabelecida.
No caso de idosos com problemas graves de saúde, a mudança no padrão do sono pode ainda aumentar a pressão arterial, mas isso acontece geralmente em casos extremos, de acordo com Jerusa.
Matutinos e vespertinos
A hematologista do Laboratório Frischmann Aisengart, Jerusa Miqueloto explica que o nosso relógio interior pode funcionar de maneira matutina ou vespertina, influenciando diretamente na adaptação ao horário de verão. As pessoas que acordam de manhã bem dispostas e dormem cedo, ou dormem muito pouco são chamadas de matutinas. Já as que têm dificuldade de acordar cedo e funcionam bem à noite são as vespertinas.
A diferença de perfis é ainda influenciada pela secreção de um hormônio, o cortisol, que dá a sensação de vivacidade. Segundo a especialista, ele demora mais para ser secretado nos vespertinos. O cortisol, que prepara a pessoa para a vigília, demora mais para ser secretado nos vespertinos do que nos matutinos.