Sexta, 20 Novembro 2015 10:55

Cientistas descobrem bactérias altamente resistentes a antibióticos

O mundo está no limiar de uma "era pós-antibiótico", alertam cientistas após a descoberta de bactérias resistentes a medicamentos da última linha de defesa humana contra infecções.

 

Um estudo divulgado na revista científica Lancet identificou, em pacientes e animais na China, bactérias que resistem à colistina, um potente antibiótico. 

 

Os autores concluem que essa resistência pode se espalhar pelo mundo, trazendo consigo a ameaça de infecções intratáveis. 

 

Especialistas afirmam que esse desdobramento precisa ser visto como um alerta mundial. 

Se bactérias se tornarem completamente resistentes a tratamentos  o chamado "apocalipse antibiótico", a medicina pode ser lançada novamente em uma espécie de Idade Média. Infecções comuns voltariam a causar mortes, enquanto cirurgias e tratamentos de câncer, que apostam em antibióticos, ficariam sob ameaça. 

 

Mutação 

Cientistas chineses identificaram uma mutação genética, denominada gene MCR-1, que permite às bactérias se tornarem altamente resistentes à colistina (também conhecida como polimixina), antibiótico geralmente usado como último recurso no caso de ineficácia de medicamentos. 

 

Ela foi encontrada em um quinto dos animais testados, 15% de amostras de carne crua e em 16 pacientes. E a resistência se espalhou por um leque de cepas e espécies de bactérias, como E. coli, Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. 

 

Também há evidências de que a resistência já chegou ao Laos e à Malásia. O colaborador do estudo Timothy Walsh, da Universidade de Cardiff, afirmou à BBC: "Todos os atores chave estão agora em campo para tornar o mundo pós-antibiótico uma realidade. 

 

"Se o MRC-1 se tornar global, o que é uma questão de tempo, e se o gene se alinhar com outros genes resistentes a antibióticos, o que é inevitável, então teremos provavelmente chegado ao começo de uma era pós-antibiótico. "E se nesse ponto um paciente estiver gravemente doente, por exemplo, com E. coli, não haverá praticamente nada a se fazer." 

 

A resistência à colistina já havia sido detectada antes. Contudo, a diferença desta vez é que a mutação surgiu numa forma em que é facilmente compartilhada entre bactérias. "A taxa de transferência desse gene de resistência é ridiculamente alta, e isso não é bom", disse o microbiologista Mark Wilcox, do centro de hospitais universitários de Leeds, na Inglaterra. 

 

O centro de Wilcox agora está lidando com inúmeros casos por mês em que "lutam para encontrar um antibiótico" - algo que há cinco anos seria muito raro, ele diz. Para o microbiologista, não houve um evento a marcar o começo do "apocalipse antibiótico", mas está claro que "estamos perdendo a batalha". 

 

'Intratável' 

A preocupação é que o novo gene da resistência se associe a outros que assolam hospitais, produzindo bactérias resistentes a todos os tratamentos, o que é conhecido como pan-resistência.

 

"Se eu temo que chegaremos a uma situação de um organismo intratável? Basicamente, sim. Se acontecerá neste ano, no outro ou no seguinte, é muito difícil dizer", afirmou Wilcox. Há sinais de que o governo chinês está agindo de forma rápida para combater esse problema.(Com  BBC)

 

 

 

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