E se essa é uma tarefa difícil hoje em dia, imagine a dificuldade vivida pelas mulheres na antiguidade, quando não se dispunha de nenhum método comprovadamente eficaz para evitar a gravidez. Como será que elas faziam? Ok, muitas não faziam nada - fosse por passividade ou por falta de conhecimento - e tinham 10, 12 e até 20 filhos! Ou seja, davam à luz durante toda sua idade reprodutiva.
Embora muitas tivessem um grande número de filhos, isso não significa que não tentavam evitar uma nova gravidez, de acordo com os meios disponíveis na época. Com a ciência caminhando a passos de tartaruga e as informações se arrastando como lesmas, não era fácil saber o que realmente podia ou não funcionar.
O site Diário de Biologia fez um levantamento de seis métodos anticoncepcionais naturais usados muito antes da tabelinha ser compreendida e a pílula ser inventada. Mesmo que alguns deles não parecerem muito seguros, e outros até causem horror (como o limão), eram o que havia de mais moderno e biologicamente plausível em diferentes épocas, e permitiam às mulheres terem algum "controle" sobre uma possível gravidez.
E olha que alguns até funcionavam, com altos índices de falha, é claro!
1. Algodão com pasta de acácia
As mulheres faziam uma pasta de acácia e casca de árvores, que era aplicada a um tufo de algodão que depois era inserido no canal genital. Era esse 'tampão' com ervas impedia a gravidez. Tanto o algodão como a acácia têm propriedades espermicidas. A acácia fermenta e se transforma em ácido lático, enquanto o algodão servia de barreira entre o sêmen e o útero. Durante os tempos de escravidão, as escravas mastigavam raízes de algodão para prevenir a gravidez. A raiz de algodão diminui a produção de progesterona, um hormônio que é necessário para a gravidez.
2. Limão
O limão também já foi muito usado como espermicida. As mulheres da antiguidade costumavam ensopar esponjas em suco de limão e depois inseri-las no canal genital. Era o método preferido em comunidades judaicas antigas, onde os homens usarem a casca de limão como uma espécie de diafragma em suas amantes. Para isso cortavam metade de um limão tiravam a poupa e formava um tampão que era inserido no canal genital. Banhar o órgão genital da mulher com suco de limão após o coito também era um método muito usado, apesar de não ser muito eficiente.
3. Cenoura selvagem
A cenoura-selvagem (Daucus carota), uma erva também conhecida como "Renda da Rainha" produz sementes que, há muito tempo, foram usadas como anticoncepcionais. Pelo que se sabe, as sementes bloqueiam a síntese de progesterona, funcionando como uma espécie de pílula do dia seguinte, que podem ser ingeridas até 8 horas após o contato com o esperma. Era um método muito usado, pois ingerir as sementes causava apenas um pouco de prisão de ventre e quem fizesse o uso dela poderia ter filhos saudáveis depois sem nenhum problema.
4. Poejo
O poejo (Mentha pulegium), também conhecido no Brasil como hortelãzinho, era usada pelos antigos gregos e romanos para temperar alimentos e o vinho. O chá de poejo era usado para induzir o aborto e a menstruação. O problema é que ingerir muito desse chá pode ser tóxico, levando à falência múltipla dos órgãos. Isso fez com que muitas mulheres adoecessem por usarem o poejo em excesso.
5. Mamão verde
Mamão bem verde era muito usado no sul da Ásia para prevenir a gravidez ou para induzir abortos. As próprias sementes do mamão já foram usadas como um 'anticoncepcional masculino'. Segundo estudiosos da época, se fossem ingeridas todos os dias, as sementes de mamão ajudavam a reduzir a produção de espermatozoides no sêmen. E quando o homem deixava de comê-las, a número de espermatozoides voltava ao normal.
6. Arruda
A arruda que você usa para afastar mau-olhado no seu jardim foi descrita por Sorannus, um médico grego do século II como uma erva abortiva. Moças em diversas regiões da América Latina comiam verdadeiras saladas de Arruda para prevenir a gravidez e, quando queriam induzir um aborto, tomavam chá da planta. Segundo informações do Diário de Biologia, a arruda tem um efeito bastante efetivo para provocar a menstruação. Consequentemente, em casos de gravidez, é um risco muito grande, pois estimula a contração das fibras musculares do útero, podendo causar forte hemorragia. (Com Diário de Biologia)