Quinta, 11 Junho 2015 09:43

Por que a viagem de volta parece mais rápida do que a ida?

Quem nunca teve a impressão de que um trajeto durou menos tempo na volta do que na ida, ainda que a distância percorrida e a duração tenham sido as mesmas nos dois percursos?

 

 

Pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, realizaram um estudo para desvendar  "efeito viagem de volta".

 

No estudo, os pesquisadores filmaram três vídeos de caminhadas por três trajetos (confira o mapa abaixo):

 

1) do ponto S ao ponto E, na figura A;

 

2) do ponto (S) ao ponto (E) (como se fosse a viagem de volta na figura A);

 

3) e um terceiro percurso entre dois pontos totalmente diferentes S e E (figura B).

 

 

 

 

Os três trajetos tinham exatamente a mesma distância (1,7 KM) e a mesma duração (26,3 minutos).

 

Vinte homens foram divididos em dois grupos e assistiram a dois desses vídeos, acompanhando em um mapa o percurso. A ideia era que vissem como se estivessem eles mesmos caminhando entre esses pontos. Dez participantes assistiram aos vídeos 1 e 2. Os outros dez viram os filmes 2 e 3. Ou seja, o primeiro grupo viu uma viagem de ida e volta. O segundo, não.

 

Os pesquisadores aplicaram dois métodos para medir a percepção de passagem do tempo. No primeiro, enquanto assistiam aos vídeos, os participantes tinham de ir sinalizando quando achavam que se passavam três minutos. Ou seja, indicavam quando achavam que fazia três minutos do início do trajeto, depois seis, depois nove e assim por diante até o fim do filme. O segundo método era, após a sessão, perguntar-lhes qual das "viagens" lhes pareceu mais curta.

 

No caso daqueles que viram os vídeos que formavam uma viagem de ida e volta, todos disseram que o percurso de volta durou menos do que a ida. Isso não ocorreu entre os que viram os dois trajetos totalmente diferentes.

 

Sobre a percepção de passagem de tempo durante a exibição do vídeo (quando eles iam contando o tempo de três em três minutos), os resultados foram iguais para os dois grupos.

 

Os pesquisadores Ryosuke Ozawa, Keisuke Fujii e Motoki Kouzaki concluíram que o "efeito viagem de volta" existe e ocorre somente após o fim da viagem. E mais: ele não afeta nossa contagem do tempo durante o trajeto (os dois grupos contaram de três em três minutos de maneira semelhante, com passagem mais curta para o segundo trajeto). Para estudos futuros, afirmam que seria interessante acrescentar à análise do "efeito viagem de volta" o impacto causado pela consciência de que se trata de um retorno. (Com Época Globo)

 

 

 

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