Já nos primeiros minutos, os relatos levaram os presentes às lágrimas. O incêndio que matou 242 pessoas completou um ano na segunda dia 27. O documentário é dirigido pelos cineastas Luiz Alberto Cassol, que é natural de Santa Maria, e Paulo Nascimento, que estudou na cidade. "Foi o desafio mais difícil da minha vida, algo que jamais queria ter feito, mas que me senti obrigado a fazer", diz Cassol.
A obra reúne 15 depoimentos e tem aproximadamente 60 minutos de duração. As imagens do incêndio em si foram ignoradas. "Usamos apenas as histórias deles. O jornalismo já havia feito o suficiente em relação ao incêndio e ao que ocorreu lá", explica. Ao reconstituir passo a passo as histórias de vítimas no dia anterior à tragédia, quando os jovens avisavam os pais que iriam ir à Kiss, o documentário emocionou ainda mais o público. Ao longo do filme, pelo menos três pessoas chegaram a sair do auditório e foram amparados por enfermeiros voluntários que auxiliavam na organização.
"Janeiro 27" traz também relatos de duas sobreviventes que trabalhavam na Kiss. "Lembro de ter acordado no hospital e imaginar que teria passado mal porque estava no carnaval", contou uma delas. Entre os depoimentos mais comoventes, está o do presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Adherbal Ferreira, que chora durante a maior parte do relato pessoal. A obra ainda detalha como surgiu a associação. "Somos apartidários, não temos religião, não queremos estimular nada, aceitamos todos˜, disse Ferreira.
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