Fora das telas a situação é bastante comum, e ainda desperta muito preconceito. “Quando a pessoa mais velha é uma mulher o preconceito vem de uma forma mais maciça, menos escondida”, diz a terapeuta sexual Ana Canosa.
Apesar dos olhares serem mais perceptíveis para casais em que a mulher é mais velha, o relacionamento de uma moça com um homem de idade muito acima da dela, como no caso de César (Antonio Fagundes) e Aline (Vanessa Giácomo), também é mal visto, gerando comentários desagradáveis ao casal. “Quando o cara é mais velho também há preconceito, as pessoas dizem que ela está atrás do dinheiro. Mas quando é uma mulher mais velha, ele é menos escondido. Dependendo de onde você mora pode ser mais complicado, se a cidade é pequena, por exemplo, a rejeição pode vir de uma maneira mais cruel”, diz.
Superando o preconceito
Se você está em uma relação como essa, a melhor maneira de superar os problemas é lidar de frente com o preconceito, que muitas vezes pode vir da própria família. “O jeito é não olhar e não se preocupar com o estresse, porque se você se preocupar vai dançar mesmo. Também é preciso paciência para que as pessoas possam entender e aos poucos irem quebrando a ideia preconceituosa. Com o tempo, a família vai entendendo que aquela é uma relação séria”, indica a especialista.
Quando a diferença é um problema
Além dos problemas sociais, a idade também pode gerar algumas dificuldades no próprio relacionamento, principalmente quando as gerações são diferentes. “Quando implica em mudança de valores muito grandes de geração para geração é complicado, porque no nosso século as mudanças são muito rápidas. É possível que uma pessoa que tenha 60 anos não consiga lidar com os valores de uma que tenha 20, e isso é uma coisa muito séria. Principalmente quando os valores são morais e sexuais, e as questões de gênero, se o homem paga ou não a conta, se a mulher trabalha ou não”, conta. Como em qualquer relação, é preciso haver afinidade de ideias e personalidade para que essa parceria dure.
Outro empecilho recorrente é a disparidade de energia entre os dois apaixonados, que também pode minar o amor. “Uma pessoa muito mais jovem pode ter muito mais disposição que a outra. Aquela mulher que adora balada pode ter problemas se ele estiver em outra fase, mais tranquila e caseira. Essa afinidade, o que eu quero pra mim, vai ser muito levado em conta para que não atrapalhe”, explica. Nesse caso, a melhor maneira de resolver é conversar e ajustar os programas que agradam a cada um.
Quando apenas um dos parceiros tem filhos, também pode existir conflito, principalmente se não quiser ter outros e esse for o sonho da outra parte. “Se o cara já teve filhos, ou a mulher, e o parceiro não teve e quer ter, pode ser complicado. É preciso uma negociação e um dos dois vai ter que abrir mão”, fala Ana.
A diferença de maturidade pode criar ainda um abismo cultural, mas esse atrito é mais fácil de ser superado. “É mais fácil de lidar, desde que a pessoa com menor bagagem cultural seja uma pessoa inteligente e disponível para o aprendizado, que goste de aprender”, finaliza.
Fonte - Naiara Taborda